Instituições de ensino e pesquisa do Estado se juntam para ampliar relação com a indústria

Cientista em laboratório de óculos protetor, jaleco e luvas mexendo em becker.

Instituições de ensino e pesquisa do Estado se juntam para ampliar relação com a indústria

Somente as três Universidades Estaduais Paulistas – USP, Unicamp e Unesp – foram responsáveis por mais de 700 pedidos de patentes em quatro anos

Texto de Vanessa Sensato

Foto de Antoninho Perri

Os Núcleos de Inovação Tecnológica (NIT) de 37 instituições de ensino e pesquisa do Estado de São Paulo se reúnem na Rede Inova São Paulo com o objetivo de ampliar a interação destas instituições com o setor empresarial. O foco de atuação dos NITs está principalmente na promoção de projetos de pesquisa em colaboração com a indústria, no licenciamento de tecnologias desenvolvidas nestas instituições e na criação de novas empresas de base tecnológica.

Entre as 37 instituições que fazem parte do grupo estão as três Universidades Estaduais Paulistas – USP, Unicamp e UNESP – que juntas foram responsáveis por 751 pedidos de patentes somente nos últimos quatro anos (2015-2018). Estas mesmas universidades firmaram 116 contratos de licenciamento de tecnologia no mesmo período. “Claramente temos uma grande parcela da produção tecnológica do país concentrada nas Instituições que formam a Rede Inova São Paulo. Nosso desafio é tornar nossos membros cada vez mais abertos à interação com a indústria”, comenta o coordenador da Rede, Professor Newton Frateschi, que também é diretor-executivo da Agência de Inovação Inova Unicamp.

A Rede vem participando em diversas instâncias políticas para promover a desburocratização da regulamentação da interação universidade-empresa. Mais recentemente Frateschi esteve com o secretário nacional de empreendedorismo e inovação (SENPI), Paulo Alvim, no Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) em Brasília. A conversa se pautou pela cooperação da Rede com o Ministério, especialmente em função da necessidade de difundir os casos de sucesso que já existem no país.  “Alguns setores colocaram que falta nas universidades uma área de relacionamento com a indústria, como os escritórios de transferência de tecnologia nas universidades em Israel e nos Estados Unidos. Na realidade, grande parte das universidades e centros de pesquisa no país tem um NIT, o que falta é comprometimento da alta gestão para a profissionalização destes setores. Não basta ter um NIT. É preciso equipe profissional dedicada a estes assuntos”, criticou Frateschi.

O diretor-executivo mencionou o caso da Agência de Inovação Inova Unicamp, como um exemplo de como com o comprometimento da alta gestão das universidades é possível se chegar a resultados de grande impacto. “A Inova foi criada em 2003. Em mais de 15 anos de atuação, conseguimos formar uma equipe competente e profissional, e temos obtido resultados importantes, como 115 licenças de tecnologia ativas e, somente em 2018, firmamos 75 contratos de pesquisa com a indústria”, explica.

Segundo o diretor, além da Inova Unicamp, outros NITs da Rede também já possuem experiência e resultados e muitos se comprometem, neste escopo, a auxiliar os NITs em formação.  Entre as principais iniciativas da Rede estão a troca de experiências entre os membros, a participação em eventos onde estão as empresas, e capacitação. “Estamos migrando nossos cursos à distância para uma plataforma nova. Em breve teremos disponíveis cursos de capacitação para que profissionais de qualquer lugar do país tenham acesso à formação na área”, comenta o coordenador.

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